O Voto Católico na Campanha Civilista de Rui Barbosa no Piauí em 1910

Dos inúmeros embates no quais Dr. Elias Martins se envolveu, onde sua participação como católico leigo mais se misturou com a do líder político e carismático, fôra na aguerrida eleição presidencial de 1910, onde dois campos de confronto se identificaram; em campanha pró Rui Barbosa e seu vice Albuquerque Lins, os católicos se organizaram em peso no partido da União Popular, sob a chefia de Elias Martins, consagrado “porta-voz do laicato católico piauiense”.

Já quanto a campanha de Hermes da Fonseca e do vice Venceslau Brás, apoiava-os os grupos mais ligados ao governo estadual de Antonino Freire e a Maçonaria teresiniense, em especial nas lideranças de Abdias Neves, Miguel Rosa, Horácio Giardini dentre outros redatores dos jornais da situação: O Monitor e Piauhy; também, nesse contexto foram criados dois jornais em defesa de seus respectivos candidatos, o jornal Primeiro de Março (1910) defendendo Hermes (Hermistas) e O Condor de Haia (1910) defendendo Rui (Civilistas).

A maior liderança católica do momento em favor da campanha de Rui Barbosa foi Elias Martins, líder da União Popular, “Civilistas” em peso, concentrados na capital Teresina e com filiais coligadas por todo Piauí, em cidades como: Campo Maior; Parnaíba; Picos; Valença e Oeiras. 

Dentre os diversos desafios nos quais Martins teve de intervir e solucionar, tanto na ideologia partidária como na conduta moral e religiosa, foi quanto ao “boato” de que Rui seria além de maçom também ateu; diante de tal polêmica ventilada nos jornais da oposição, Martins teve de buscar se aconselhar com o “taumaturgo do sertão” Padre Cícero Romão Batista (1844-1934), conforme menciona o jornalista Pinheiro Filho (História da Imprensa no Piauí, 1997): 

“Estes ficaram desconfiados, o que obrigou Elias Martins a telegrafar ao Padre Cícero, do Juazeiro, solicitando a influência do taumaturgo junto aos católicos do Piauí que fossem seus fanáticos”.

Desse comentário podemos atestar o quanto era evidente a força política de Elias Martins nos negócios partidários dos católicos organizados politicamente; abaixo citamos o telegrama do Padre Cícero "pró-Rui", publicado no jornal católico O Apóstolo (1910): 

O Padre Cícero Telegrama do Joazeiro, no Estado do Ceará, — firmado pelo popular e virtuoso padre Cícero Romão, transmite-nos a grata notícia de que o ilustrado sacerdote, ídolo das populações sertanejas de todo o Norte, — está trabalhando pela vitória da causa civilista. 

Eis o despacho: Joazeiro, 15. — Dr. Elias Martins, Monsenhor Lopes. No sentido do vosso telegrama pedi a todos os chefes políticos e presidentes do Norte que as urnas eleitorais de seus Estados não esquecessem o nome do glorificador do Brasil em Haya. 

Padre Cicero.

As querelas político-partidárias que afloraram das campanhas eleitorais de 1909 a 1910 foram documentadas nas páginas dos jornais da época, um acervo enorme de minúcias e intrigas semanais de um lado para o outro, por entre as ruas da capital até as colunas do periódicos; após a votação ocorrida em 1º de março de 1910, e a saída dos resultados favoráveis a eleição do candidato Hermes da Fonseca, Martins e os demais “Civilistas” entraram em crise, e buscaram a todo tempo desacreditar tal resultado na apuração dos votos, denunciando as fraudes eleitorais, e conclamando novas contagens.

No Piauí, o resultado não foi aceito por aqueles que defendiam a candidatura e vitória de Rui Barbosa. Os partidários da União Popular se apressaram em publicar diversos artigos que descaracterizavam a eleição de 1º de março de 1910, devido às fraudes cometidas, sobretudo, nas mesas de votação.

Referência:
FARIAS, Dário Leno de Souza. Contra o poder das trevas: Elias Martins e a militância católica leiga ultramontana no Piauí de 1910 a 1913. Monografia-UFPI, Teresina-PI, 2022.

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