Nota Biográfica: Monsenhor Joaquim Raimundo Ferreira Chaves (1913-2007)
Mons. Joaquim Chaves nasceu em Campo Maior-PI, no dia 09 de março de 1913 e faleceu em Teresina-PI, no dia 8 de maio de 2007, onde está sepultado. Sacerdote, professor e historiador. Licenciado em Filosofia pelo Seminário de Olinda-PE. Ordenado sacerdote no dia 15 de setembro de 1935. Foi vigário da Paróquia de Nossa Senhora do Amparo, desde o ano de 1948, até o seu falecimento. Quanto à sua longeva permanência à frente da Primaz de Teresina, destacamos a seguinte notícia de 1950, quando Dom Severino Vieira de Melo o fez Vigário inamovível:
"Pius PP XII Motu Proprio Sollicitudinem Nostram (6 de janeiro de 1950).
Uma novidade a rigor, aparente volta ao passado - o padre Joaquim Chaves é provido como 'vigário inamovível' e título de 'vigário colado' da freguesia de Nossa Senhora do Amparo de Teresina, com todas as faculdades, ônus, graças, direitos e privilégios que pelos Sagrados Cânones... Voltou com força a inamovibilidade do tempo do Padroado e dos vigários concursados. Logo depois, seriam assim promovidos, os padres Marques, para a freguesia do Ó, de Valença, o padre Mateus Rufino, para Campo Maior, e o padre José Franco Rodrigues para Castelo." (SANTOS NETO, 2021).
Dom Severino Vieira de Melo, então bispo de Teresina, é conduzido a sua cátedra por Monsenhor Joaquim Chaves, durante a Missa Pontifical de encerramento das comemorações pelo centenário da Matriz de Nossa Senhora do Amparo, primaz de Teresina (PI), em agosto de 1952.
Monsenhor Chaves foi o pároco mais longevo da Igreja do Amparo e célebre historiador piauiense. É dele a iniciativa de construir as monumentais torres da fachada da igreja.
O título de Monsenhor lhe foi conferido pelo Papa João XXIII. Vigário geral da Arquidiocese de Teresina, durante o governo de Dom Avelar Brandão Vilela (2° Arcebispo) e Chanceler na administração de Dom José Freire Falcão (3° Arcebispo). Reitor e professor do Seminário Sagrado Coração de Jesus, de Teresina. Professor de francês no Liceu Piauiense e no Colégio Diocesano. Foi diretor do Colégio Diocesano São Francisco de Sales. Jornalista, dirigiu os primeiros anos de edição de O Dominical (1948-1971), importante semanário católico de divulgação religiosa e orientação aos católicos em diversas esferas da vida civil, política e moral. Destacamos uma interessante nota honorífica referente a Mons. Chaves:
HOMENAGEM A MONS. JOAQUIM CHAVES
Na sua edição de hoje, «O Dominical» presta homenagem ao dedicado Mons. Joaquim Chaves, ex-diretor deste jornal, pelos seus inúmeros e inegáveis serviços prestados, com sacrifício e desvelo, à frente deste hebdomadário. Por vários anos, «O Dominical» circulou sob a orientação do incansável Mons. Chaves, homem de mil e uma ocupações, mas que apesar do tempo limitado de que dispunha e de suas atividades, como Vigário Geral da Arquidiocese, soube sustentar, corajosamente, e quase sozinho, a circulação deste semanário de orientação católica. Estamos convencidos de que sua luta, na direção de «O Dominical», não foi ineficaz, mas positiva e edificante. E é em reconhecimento disto que, hoje, queremos prestar-lhe o tributo sincero de nossa homenagem. «O Dominical», portanto, coloca, em primeiro plano, a pessoa ilustre deste dedicado sacerdote, a quem formula agradecimentos pela sábia e construtiva orientação que recebeu." (O DOMINICAL, 1964).
Mons. Chaves foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí e do Instituto Histórico e Geográfico de Oeiras. Membro do Conselho Diretor da Universidade Federal do Piauí. Pertenceu a Academia Piauiense de Letras, Academia Mafrensina de Letras e a Academia Campomaiorense de Letras.
Dentre seus diversos livros publicados, destacam-se: Teresina - subsídios para a História do Piauí (1952); O Índio no Solo Piauiense (1952); O Piauí nas Lutas pela Independência do Brasil (1975); Monumento do Jenipapo; A Escravidão no Piauí; Evangelização no Piauí; Cadernos Históricos; O Piauí na Guerra do Paraguai; Como Nasceu Teresina; Campo Maior - Luta pela Independência; Apontamentos Biográficos e outros.
Na edição de 1994, da obra "Teresina: subsídios para a História do Piauí", lemos primorosa menção a sua Vida e Obra - do sacerdote-historiador:
"Monsenhor Chaves é um grande apreciador de música erudita. Em seu escritório encontram-se várias caixas de isopor repletas de fitas cassetes de suas composições prediletas. Diz apreciar, sobretudo, os três bês: Beethoven, Bach e Brahms.
Hoje dedica-se, quase exclusivamente, às coisas de sua Igreja. Afirma que a historiografia já lhe furtou demasiado tempo de Deus. Entretanto, esta freada em sua pesquisa não lhe impede de ser um dos maiores historiadores piauienses de todos os tempos".
(CHAVES, 1994)
Apaixonado pela história da memorável Batalha do Jenipapo (1823), fez opção para ser sepultado no Cemitério dos Heróis do Jenipapo, em Campo Maior-PI, e chegou a mandar fazer a sepultura, por autorização do Ministro da Defesa do Brasil. A família preferiu sepultá-lo em Teresina. É homenageado pelo município de Teresina, com a Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMC). Em 2013, centenário de seu nascimento, a Fundação reuniu toda sua obra historiográfica em volume único, rendendo-lhe dignas homenagens.
Mons. Chaves homenageado pelo governador do estado Alberto Silva durante solenidade de inauguração do Monumento do Jenipapo, em Campo Maior-PI, em 1973.
Mons. Chaves já nonagenário.
Referências:
CHAVES, Monsenhor Joaquim. Teresina: subsídios para a História do Piauí. Teresina: Fundação Monsenhor Chaves, 1994.
CHAVES, Monsenhor Joaquim. Obra Completa. Teresina: Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, 2013.
SANTOS NETO, Antônio Fonseca dos; LIBÓRIO, Paulo de Tarso Batista. DOM SEVERINO, 1 ed. Teresina: Editora Nova Aliança, 2021. (Sucessores dos Apóstolos em Teresina, vol. 3).
O DOMINICAL, semanário de orientação católica. Arquidiocese de Teresina, 26 de abril de 1964, ano XXIX, n° 14, p. 1.