O Católico não pode ser espírita - O DOMINICAL, semanário de orientação católica do Piauhy (1950)

 



O Católico não pode ser espírita


Infelizmente nos tempos atuais, observa-se, em certa classe de católicos, uma tendência bastante acentuada para o estudo e prática de vários fenômenos maravilhosos. Queremos aludir à curiosidade que os católicos têm em conhecer o conjunto de manifestações que acodem pelo nome de "espiritismo". Tal procedimento só é explicável pela ignorância que se acerca da doutrina católica. O católico dotado de conhecimentos religiosos e firme em sua fé, sabe que o espiritismo não passa de um complexo de absurdos e incoerências. O católico sabe também que o espiritismo é uma paródia sacrílega dos divinos mistérios da religião de Cristo, cuja prática traz os mais lamentáveis resultados para o indivíduo, para a sociedade e para a fé. 

A curiosidade é causa de muitos males. Deus, vendo que os homens insaciáveis em seus desejos, procuravam por meio dos mortos, decifrar a incógnita do além-túmulo, resolveu enviar ao mundo, o seu Filho divino, Jesus Cristo, afim de ensinar a mesma humanidade as principais verdades acerca dos destinos sobrenaturais que envolvem toda criatura que aparece no cenário da existência.  Com o aparecimento, portanto, de Cristo, sobre a terra, o espiritismo não pode pretender alguma coisa, nem mesmo fazer-se arauto de uma nova revelação à humanidade, conforme tenta insinuar através de sua doutrina.

A pretensa comunicação com os mortos, é uma burla habilmente preparada pelo príncipe das trevas - Satanás, que no afã de perder as almas, envia todos os meio maravilhosos de sedução, quais sejam: materializações, levitações e falsas promessas de prêmios eternos, sem a necessidade da prática das boas obras e para que, "a esmola sendo muita, o santo não venha a desconfiar", Satanás, caindo em contradição, ainda aconselha a prática da caridade e finalmente, dá bons conselhos...

Satanás, para angariar adeptos, veste-se com pele de ovelha, do contrário, se manifestasse tal qual exige sua natureza, todo mundo recuaria espavorido ante a sua abominável personalidade. Satanás é também muito astuto e esperto. Ele promete muito e não cumpre coisa alguma, e se às vezes o faz, é para maior mal causar a sua presa. Ele é finalmente, capaz de fazer muitas coisas extraordinárias, e até mesmo, transfigurar-se em - anjo de luz - conforme diz o Apóstolo S. Paulo (II Co. 11, 14). 

Ordinariamente o espírito humano separado não retorna a este mundo, salvo se Deus em sua infinita sabedoria o permitir e visando tão somente sua honra e glória. O espírito humano, também denominado alma, após sua separação do corpo; passará a ocupar, segundo as suas obras, a estância assinalada por Deus: daí não sairá sem permissão especial do Criador, conforme ficou dito. 

Outra burla do espiritismo, chefiado por Satanás, é pretender que o espírito evocado é a própria alma do finado, e que também, no fenômeno da materialização, o mesmo espírito se apresenta com o verdadeiro corpo que possuía outrora, quando em peregrinação pela vida terrestre. Nada mais falso ou destituído de fundamento. 

O primeiro inconveniente do espiritismo é adquirir a confiança dos seus adeptos afim de "fanatizá-los e obcecá-los", isto é, faze-los acreditar cegamente tudo quanto lhes ditar pelas comunicações. Nas "evocações", nem a alma humana se apresenta para atender o chamado dos "médiuns"; nem tão pouco nas "materializações" a mesma alma se une ao primitivo corpo deixado na terra.

Segundo os sábios Demirville(1) e Gorres(2), em seus trabalhos (Des Espirits), ninguém melhor do que as falanges malditas conhecem a fisionomia, a voz, os hábitos e os costumes das pessoas. Quando se evoca o espírito de um morto, conforme o mesmo Demirville, o demônio se apresenta de pronto e responde às perguntas, imitando perfeitamente o evocado, conseguindo assim enganar os circunstantes. 

Deus proíbe formalmente esta comunicação funesta e perigosa com as supostas almas dos finados, como se vê no livro do Deuteronômio: "Não se ache entre vós quem consulte os adivinhos, nem quem indague dos mortos a verdade" (Dt. 18, 10-12). 

Cheia de interesses pela salvação das almas a Igreja as defende das ciladas de Satanás; de cujas investidas as devia, como as previne contra todas as práticas do anjo das trevas. Por isso mesmo a Igreja condena o espiritismo, cuja prática ou estudo é o mais prejudicial para as almas. Logo, o católico, que o é deveras, não pode ser espírita, nem pode frequentar os antros da seita satânica. 


FONTE: O DOMINICAL, semanário de orientação católica, ano XIV, nº 49. Teresina, 10 de dezembro de 1950. p. 6.

(1) Jules Eudes De Mirville (1802-1873), autor de: Des esprits et leurs manifestations fluidiques.  
(2) Joseph von Görres (1776-1848), escreveu a monumental obra Christliche Mystik, em 4 volumes (1836-42; “Misticismo Cristão”).

 


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